Dobra o número de pessoas que buscam emprego há mais de dois anos
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Dobra o número de pessoas que buscam emprego há mais de dois anos

   Número de brasileiros que está há mais de dois anos procurando emprego cresceu 153% desde o início da crise.

   O número de brasileiros que está há mais de dois anos procurando emprego cresceu 153% desde o início da crise no mercado de trabalho, chegando a 3,3 milhões de pessoas. O desemprego de longo prazo atinge mais as mulheres e as regiões Norte e Nordeste.
  Os dados foram divulgados nesta terça (18) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), são considerados um indicador a mais da situação precária do mercado de trabalho brasileiro. Para a pesquisadora do Ipea, Maria Andreia Lameiras, o desemprego só deve começar a cair em 2020.
   Com base em informações coletadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Ipea avalia que, apesar de indicativos recentes de melhora, "o mercado de trabalho brasileiro segue bastante deteriorado, permeado por altos contingentes de desocupados, desalentados e subocupados [que trabalham menos do que gostariam]".
   Em sua Carta de Conjuntura, o instituto destaca o elevado número de pessoas procurando emprego há mais de dois anos: no primeiro trimestre de 2019, foram 3,3 milhões. No mesmo período de 2015, ano em que se iniciou a escalada do desemprego, eram 1,3 milhão de pessoas.
   Esse contingente representa hoje 24,6% dos desempregados brasileiros -um crescimento de 42,2% com relação à taxa de 17,4% registrada no primeiro trimestre de 2015. Isto é, um a cada quatro pessoas sem emprego no país procura trabalho há mais de dois anos.
Do total, 2 milhões são mulheres e 1,3 milhão, homens. Embora historicamente elas sofram mais com o desemprego de longo prazo, o crescimento pós-crise foi maior  entre os homens.
   De acordo com o Ipea, 22,7% dos domicílios brasileiros não tiveram qualquer renda do trabalho no primeiro trimestre, um aumento de 3,7 pontos percentuais com relação ao primeiro trimestre de 2015. O instituto ressalta, porém, que eles podem ter tido renda com aposentadorias, programas sociais ou outras fontes. "Os domicílios são compostos por diversas faixas etárias e, se ninguém está recebendo renda do trabalho remunerado, isso mostra que a crise bateu muito forte", diz Lameiras.
    Outros 29,8% têm renda do trabalho muito baixa, isto é, menor do que R$ 1.615,64 por mês, considerando todos os moradores. No primeiro trimestre de 2019, o rendimento médio domiciliar cresceu em todas as faixas de renda, mas os dados apontam aumento da desigualdade: enquanto nos de renda muito baixa, a alta foi de 0,10%, naqueles de renda alta (maior que R$ 16.156,35), foi de 2,48%.
Para a pesquisadora do Ipea, a recuperação do mercado só ocorrerá em 2020. Se no começo ou no fim do ano, depende do ritmo de aprovação da reforma da Previdência, que melhoraria a confiança para novos investimentos. Ela lembra que o emprego demora a reagir às mudanças de rumo da economia.
   "A reforma é fundamental e o timing da reforma é fundamental. Se a tramitação acabar se estendendo demais, se aprovação for só para o segundo semestre, só teremos melhora no segundo semestre de 2020", concluiu.

FOLHAPRESS Agência Brasil
 
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